Dispositivos são utilizados no Método Wolbachia e contêm ovos do mosquito Aedes aegypti com uma bactéria natural que reduz sua capacidade de transmitir essas doenças
Se você estiver caminhando pelas ruas de Anápolis e encontrar um baldinho verde instalado em uma árvore, é muito importante não mexer nele. Isso porque o recipiente faz parte de uma estratégia de combate à dengue, zika e chikungunya, realizada pela Prefeitura de Anápolis em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os dispositivos são utilizados no Método Wolbachia e contêm ovos do mosquito Aedes aegypti com uma bactéria natural que reduz sua capacidade de transmitir essas doenças. Após o desenvolvimento, os mosquitos saem dos recipientes e se reproduzem com os que já existem na cidade, transmitindo a bactéria às novas gerações.
Em duas semanas, cerca de 4 mil dispositivos foram instalados em 42 bairros de Anápolis. Durante uma checagem realizada na segunda semana, as equipes vistoriaram 1.670 pontos e identificaram a perda de 212 baldinhos, encontrados em lixeiras, quebrados, abandonados em calçadas e lotes baldios – sobretudo na região Central e nos bairros Copacabana, Boa Vista, Vila Norte e Vila Góis.
Conhecidos como Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), os baldinhos também contêm água e alimento para as larvas, permitindo que os mosquitos completem seu desenvolvimento em aproximadamente 15 dias. A bactéria Wolbachia, presente naturalmente em diversas espécies de insetos, dificulta a multiplicação dos vírus no organismo do Aedes aegypti. O objetivo é que, gradualmente, aumente a proporção de mosquitos com menor capacidade de transmitir doenças, sem modificações genéticas.
Os dispositivos são instalados exclusivamente em áreas públicas, como árvores, fachadas de estabelecimentos comerciais e calçadas, em locais protegidos do sol e da chuva. A Prefeitura orienta que os moradores não retirem, abram ou mudem os baldinhos de lugar, pois qualquer interferência pode comprometer o funcionamento do método. A manutenção e a substituição dos recipientes são realizadas pelas equipes responsáveis pelo projeto.
O Método Wolbachia já apresentou resultados positivos em outras localidades. Dados divulgados sobre a iniciativa apontam reduções nos casos de dengue de 89% em Niterói (RJ), 63% em Campo Grande (MS), 77% na Indonésia e 96% na Austrália.
A Prefeitura reforça que, mesmo com a implantação do Método Wolbachia, a participação da população continua sendo fundamental no combate à dengue, zika e chikungunya. Medidas como eliminar recipientes que acumulam água e manter caixas-d’água bem fechadas devem continuar fazendo parte dos cuidados diários de prevenção.
Foto: Victor Melo


