No Hospital Municipal de Aparecida, experiência de acolhimento e escuta mostra como a atuação voluntária contribui para humanizar a jornada de pacientes e acompanhantes e ressignificar a vida de quem doa tempo ao cuidado do outro
Foto: ASCOM HMAP
Promover a transformação social, a geração de conhecimento e a humanização por meio do trabalho voluntário consciente e profissional. Com essa missão, em mais de 70 anos de trajetória, o Voluntariado Einstein é uma porta de entrada para quem deseja promover a inclusão social, fortalecer laços comunitários e desenvolver a consciência social. Com mais de três anos de atuação no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP), unidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), construída pela Prefeitura e administrada pelo Einstein, e há mais de dois no Einstein em Goiânia, a iniciativa reúne em Goiás mais de 40 voluntários participantes em duas unidades de saúde.
Antônio Geraldo é um deles. Neste 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado, a sua história mostra como essa experiência pode beneficiar pacientes e, ao mesmo tempo, transformar profundamente quem escolhe dedicar seu tempo ao próximo. Voluntário do HMAP, ele encontrou no trabalho com pacientes uma maneira de retribuir as oportunidades que teve ao longo da vida.
A experiência começou ainda em Poços de Caldas (MG), onde atuou voluntariamente em um residencial para idosos. Em Goiânia, passou a atuar no ambiente hospitalar e descobriu novas formas de contribuição. “Eu me sinto individualizado com a vida boa que eu tive e sempre gosto de agradecer a Deus por isso. Na minha opinião, uma forma de fazer isso é ajudar outras pessoas. Essa é a minha motivação para ser voluntário”, conta.
Ao longo de sua atuação no HMAP, Antônio acumulou histórias que mostram como vínculos podem surgir em momentos de fragilidade. Em uma ocasião, uma brincadeira sobre dançar forró com um paciente acabou criando uma amizade que aconteceu por muito tempo. “Existem várias histórias que marcaram a minha vida. Eu sempre tento aproveitar o melhor delas”, afirma.
O impacto também aparece na forma como Antônio percebe os pacientes. Para ele, o voluntário pode contribuir para tornar a experiência de internação mais acolhedora, por meio da escuta, da companhia e do apoio emocional. Para ele, o principal aprendizado foi perceber que o voluntariado também provoca mudanças profundas em quem se oferece para ajudar. A convivência com pessoas em situação de vulnerabilidade mudou sua maneira de enxergar a própria vida.
“Eu sou aposentado e já fui um pessimista quanto aos valores humanos. Trabalhar com pessoas carentes, doentes e às vezes fragilizadas me fez enxergar a vida como um presente de Deus”, relata. Segundo ele, o desejo hoje é buscar longevidade e, principalmente, capacidade para ampliar aquilo que pode fazer pelo outro.
Para a esposa do paciente, Eva Silva, a passagem dele pelo HMAP mostra como o acolhimento dos voluntários pode permanecer na memória mesmo depois da alta hospitalar. Em meio à fragilidade provocada pelo período de internação, os gestos de carinho e as palavras de incentivo ajudaram a tornar aquele momento mais leve.
“O que mais marca é lembrar o quanto fomos bem tratados por pessoas que nem conhecíamos. Em pleno sofrimento e dor, os voluntários chegam com palavras bonitas e até conseguiram fazer meu marido sorrir. Aquilo preenchia um vazio e ajudou muito. Hoje estamos aqui, com muita saúde e meu esposo curado, e só temos a agradecer. Eles nos trataram com carinho, como se fôssemos da família. Foram pessoas maravilhosas que fizeram toda a diferença na nossa experiência no hospital”, relata.
Cuidado ampliado
A presença do voluntário também está alinhada ao compromisso do HMAP com uma assistência cada vez mais humanizada. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, enaltece o gesto de quem escolhe dedicado parte do próprio tempo ao cuidado com outras pessoas. “A gente sabe que, dentro de um hospital, existem momentos de medo, ansiedade e incerteza. Por isso, encontrar alguém disposto a parar, conversar, ouvir e oferecer uma palavra amiga pode fazer uma enorme diferença para quem está ali. O voluntário não faz apenas algumas horas do seu dia; ele oferece presença, atenção e solidariedade. É esse tipo de gesto, muitas vezes simples, que nos lembra da importância de cuidar uns dos outros”, afirma.
Na avaliação do secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, a participação dos voluntários agrega uma dimensão importante à assistência hospitalar. “A internação exige uma atuação multidisciplinar e organizada, e o voluntário contribui justamente em uma frente que não se resume a procedimentos clínicos: a experiência do paciente. A escuta comprometida, a companhia e as atividades de acolhimento podem favorecer o bem-estar emocional durante a permanência na unidade. Quando essa atuação ocorre de forma articulada com os protocolos e com as equipes assistenciais, ela complementa o cuidado e contribui para uma assistência mais integral”, pontua.
O diretor do hospital, Pedro Vieira, destaca que a atuação dos voluntários amplia o olhar sobre o cuidado e reforça que a experiência de internação envolve também aspectos emocionais e sociais. “Quando uma pessoa se apresenta a doar tempo, escuta e atenção para alguém que está passando por um momento de fragilidade, ela também se transforma. O voluntariado nos lembra que cuidar é olhar para o paciente como um ser humano em sua integralidade, respeitando sua história, seus sentimentos e suas necessidades. No HMAP, essa atuação contribui para fortalecer a humanização e tornar a experiência de cuidado mais acolhedora para pacientes, acompanhantes e também para quem trabalha no hospital”, afirma.
Trajetória do Voluntariado
A atuação voluntária no HMAP se concentra nas camadas emocionais do cuidado. O trabalho é cuidadosamente integrado à equipe assistencial e não substitui o atendimento técnico, mas sim, ou complementar. Atualmente, cerca de 30 colaboram regularmente em diferentes frentes na unidade, desde o acolhimento, na recepção e ambulatório, até visitas aos leitos, onde oferecem companhia e conforto emocional. Na Brinquedoteca, realiza atividades lúdicas com as crianças internadas, promovendo momentos de descontração e bem-estar para os pequenos em tratamento.
Com mais de 70 anos de trajetória, o Voluntariado Einstein reúne hoje mais de 700 participantes participantes em 11 unidades nos estados de São Paulo, Goiás e Bahia. Em território goiano, a atuação humanizada está presente há três anos no HMAP e há dois no Einstein Goiânia, proporcionando acolhimento e gentileza a pacientes e familiares.
Quer fazer parte dessa história? Saiba mais e conheça as formas de atuação na área “Seja Voluntário”: https://voluntarios.einstein.br/seja-voluntario/
Fonte: Por ASCOM HMAP e Polliana Martins
27 de agosto de 2026


