Por: Luiz PERES — Redação Repórter Goiás “A Identidade dos Municípios”
O Setor Central de Goiânia não suporta mais paliativos. Recebendo uma carga esmagadora de aproximadamente 200 mil veículos todos os dias — conforme dados técnicos de fluxo do Detran-GO e da Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) — o trânsito na área central transformou-se em um funil que estrangula o comércio e expulsa o cidadão. Diante deste cenário de abandono, o Projeto de Lei do vereador Luan Alves (MDB) — que proíbe a cobrança de estacionamento em vias públicas — surge como o “despertar” necessário para o salvamento definitivo do coração da cidade.
Êxodo de quem Produz
Um exemplo emblemático desse sufocamento é o empresário Itagiba Gonzaga Jaime. Com uma trajetória sólida no ramo farmacêutico, onde é amplamente conhecido como Gonzaga da Drogaria, ele tomou uma decisão drástica: deixou Goiânia há mais de 20 anos para exercer sua atividade no interior de Goiás. O motivo da “fuga” da capital foi a combinação letal entre a falta de vagas para as centenas de milhares de veículos, a insegurança e o abandono de políticas públicas eficazes na região central.
Hoje, ao analisar a proposta de Luan Alves, Gonzaga Jaime vê a chance de Goiânia corrigir erros do passado. “A semente é fundamental. O poder público precisa revitalizar e humanizar, mas o estacionamento gratuito e organizado é o ponto de partida para o povo voltar”, defende o empresário.
Ações Voluntárias: Importantes, mas Insuficientes
Atualmente, o Centro sobrevive de iniciativas pontuais. Shows e eventos na Rua do Lazer, por exemplo, são movimentos valiosos e frutos do esforço voluntário de pessoas que amam Goiânia e desejam vê-la forte e acolhedora. Entretanto, embora haja excelente intenção nessas iniciativas, elas são “pouco demais” para o tamanho da causa. O Centro não precisa apenas de eventos esporádicos; precisa de políticas públicas verdadeiras e eficazes que funcionem no dia a dia. Goiânia tem pressa.
O Despertar de uma Solução Efetiva
Ao garantir o estacionamento gratuito e seguro, o poder público remove a primeira e mais alta barreira que hoje isola o Centro. O vendedor do setor automotivo, Paulo Roberto Alves ( O Payakan), corrobora essa visão: ele, que também buscou outras regiões da capital para trabalhar devido ao caos central, reforça que a união entre Câmara e Prefeitura é urgente para devolver a vida urbana à capital através da gratuidade e da ordem.
Além do Calendário Eleitoral
A história cultural e econômica de Goiânia exige que os poderes públicos não olhem para o Centro apenas em épocas de eleição. A população consumidora, empreendedoras e os detentores do patrimônio imobiliário cobram uma solução que passe por três pilares fundamentais:
Gratuidade Real: O espaço público não pode ser um pedágio para o consumo.
Segurança de Fato: Proteção para o proprietário e para o veículo, com presença efetiva da Guarda Civil e videomonitoramento. O município pode e tem o dever de ampliar e organizar mais vagas de estacionamento — um dos pontos de incentivo para que a capital comece a retomar a normalidade de um grande centro urbano.
Retomada Histórica: Transformar a mobilidade em um convite para que o goianiense redescubra suas origens.
📝 Nota da Redação
A equipe do Repórter Goiás conversou com Gonzaga Jaime na praça de alimentação de um shopping da capital. De forma emblemática, ele resumiu o sentimento de muitos goianienses: “Hoje prefiro pagar estacionamento e pagar por segurança. O Centro de Goiânia não me vê mais. Vim para prestigiar o MotoGP de Goiânia”.
Este depoimento franco é o retrato fiel do desafio que temos pela frente. Agradecemos a Gonzaga Jaime e a Paulo Roberto Alves (Payakan), pela disponibilidade em enriquecer este debate fundamental para o futuro da nossa capital.

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Fonte: Redação Repórter Goiás — A Identidade dos Municípios – Por: Luiz PERES


