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Cooperativismo fortalece motoristas de aplicativo de transporte em Goiás

Por Izabela Carvalho • Goiânia (GO)

A organização coletiva por meio do cooperativismo tem aberto novas perspectivas para motoristas de aplicativo em Goiás. Reunidos em cooperativa, motoristas de aplicativo encontram novas possibilidades para melhorar as condições de trabalho, reduzir despesas e aumentar seus ganhos. Profissionais que antes atuavam individualmente passam a compartilhar uma estrutura de negócios, participar das decisões e buscar melhores condições de trabalho, redução de custos e aumento da remuneração.

A experiência da Cooperativa de Motoristas do Transporte Remunerado Privado de Passageiros (CoopGO) demonstra como a cooperação pode fortalecer a categoria e ampliar sua autonomia econômica, e assim, contribuir para transformar a realidade desses profissionais, com iniciativas que incluem o acesso a crédito em condições diferenciadas para a aquisição de veículos elétricos, resultado da articulação do Sistema OCB/GO com governo estadual e Sicoob Crediadag.

No dia 24 de outubro, a CoopGO promoveu evento de entrega oficial dos primeiros 100 veículos. Entre os contemplados, o motorista de aplicativo de transporte de passageiros há oito anos, Fernando Arcanjo da Costa, compartilhou as perspectivas. “Foi uma ótima iniciativa muito boa, porque perceberam a importância da categoria, coisa que outras plataformas não identificaram”, assinalou.

📷  LEGENDA 1: Fernando Arcanjo, motorista de aplicativo há oito anos, vê na iniciativa uma oportunidade de reconhecimento e valorização da categoria (Foto: Silvio Simões)

Fernando explicou que com o sistema cooperativo terá condições de aumentar os ganhos reais, além de conseguir adquirir veículo próprio, já que segundo ele, a maioria dos motoristas trabalha com carros locados. “Eu pagava aluguel de R$ 6.500 por mês num carro alugado. Hoje, pago R$ 5.500 em que é meu”, contou.

O profissional destacou também que reunidos na cooperativa, os associados participam dos resultados e das sobras da cooperativa. “Nós temos voz e participamos das decisões”, pontuou Fernando.

Além disso, o motorista comparou que ao trabalhar com as outras plataformas, em uma corrida em que o passageiro paga R$ 50, o repasse é entre R$ 25 e R$ 28. “Já com a cooperativa, eu acabo ganhando R$ 40. Ao final, são R$ 12 a mais, trabalhando menos horas e com mais qualidade de vida e com possibilidade de crescimento. As outras plataformas nos veem como uma peça de tabuleiro que usam enquanto está sendo útil, quando não for mais, descartam. Na cooperativa, você tem voz”, pontuou.

Por fim, Fernando salientou que a iniciativa da cooperativa não ficará restrita aos motoristas em Goiás. “Ela está vendo o crescimento não apenas em Goiânia, mas no país. Com isso, também vai conseguir ajudar todos os motoristas dos outros estados”, disse.

IMPACTO NO BOLSO DO MOTORISTA • Economia real no veículo: De R$ 6.500/mês no aluguel para R$ 5.500/mês em parcela de veículo próprio. • Maior repasse por corrida: Em uma corrida de R$ 50, a receita do motorista sobe de R$ 25-28 nas plataformas tradicionais para R$ 40 na cooperativa. • Participação nas sobras e governança: Motoristas deixam de ser ‘peças descartáveis’ e passam a ter voz ativa e participação nos resultados.

Financiamento e juros menores

O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, explicou que a iniciativa de apoio aos motoristas de aplicativo surgiu a partir da identificação das dificuldades enfrentadas por esses profissionais para financiar novos veículos. Para viabilizar essa proposta, um dos primeiros desafios foi superar as dificuldades de acesso ao crédito para a aquisição de veículos, questão que mobilizou o Sistema OCB/GO e parceiros do setor financeiro e do governo estadual.

Diante desse cenário, o Sistema OCB/GO mobilizou parceiros e articulou alternativas de financiamento com o setor cooperativista de crédito e o governo estadual. A iniciativa envolveu o Sicoob Crediadag, responsável pela oferta de crédito, a GoiásFomento e o GarantiGoiás, que reforçou as garantias para viabilizar as operações. “Procuramos as cooperativas de crédito para conseguirmos juros melhores. O GarantiGoiás reforçou as garantias para esses cooperados”, explicou.

📷  LEGENDA 2: Presidente da OCB-GO, Luís Alberto Pereira, explica a articulação com parceiros do setor cooperativista de crédito e do governo estadual para viabilizar financiamentos em condições mais acessíveis.

Luís destacou que as condições de financiamento irão permitir aos cooperados adquirir carro próprio e reduzir os custos do trabalho. Isso permitirá o aumento da renda deles. Os benefícios poderão ainda favorecer motoristas em outras cidades onde a CoopGo atua.

O presidente do Sistema OCB/GO, assinalou ainda o quanto a instituição acredita em parcerias e nos resultados positivos que estas podem proporcionar. “É o nosso DNA, e nada impede as parcerias com o mercado em geral, com empresas e setor público para aumentar os benefícios que recaem sobre toda a população”, complementou.

Estudo, planejamento e redução de custos

Marcelo Conrado, presidente da CoopGo, explicou que o projeto nasceu dentro do Inovacoop, que é um programa da OCB junto ao Governo do Estado para acelerar as cooperativas. Agrônomo e especialista em cooperativismo e sustentabilidade na área de tecnologia, Marcelo recebeu a missão de organizar a categoria dentro do modelo de cooperativismo. “É o modelo que mais cresce, considerado o mais justo”, afirmou.

📷  LEGENDA 3: Marcelo Conrado, presidente da CoopGO, destaca como o modelo cooperativista pode contribuir para ampliar a remuneração dos motoristas e reduzir os custos da atividade.

O presidente da CoopGO detalhou que a cooperativa realizou um estudo para compreender o funcionamento do mercado e os custos da atividade. Segundo o levantamento, um motorista que depende exclusivamente dessa ocupação roda, em média, 5 mil quilômetros por mês, com custo aproximado de R$ 1,10 por quilômetro. A despesa mensal chega, portanto, a R$ 5,5 mil. Entretanto, descontadas as despesas estimadas em R$ 5,5 mil mensais, a renda restante seria de aproximadamente R$ 2 mil. “Eles deixaram de ser CLT para ser autônomos, mas ganham aí um salário mínimo, sem nenhuma proteção, com todos os riscos”, observou.

Marcelo ponderou que a renda obtida também compromete a capacidade de investimento e manutenção do veículo, essencial para a atividade. Quando precisa fazer reparos ou substituir o automóvel, o motorista muitas vezes não dispõe de recursos e acaba recorrendo a empréstimos, o que agrava sua situação financeira.

A partir desse diagnóstico, a CoopGO estruturou um planejamento para melhorar a remuneração dos motoristas e reduzir os custos da atividade. Uma das medidas foi desenvolver um aplicativo próprio, pertencente à cooperativa e, consequentemente, aos seus cooperados. O modelo prevê uma taxa de 15% para cobrir os custos operacionais, enquanto as sobras, após a apuração dos resultados, são distribuídas entre os associados, conforme as regras cooperativistas. “Essa é a força da cooperativa, porque tira os atravessadores”, destacou Marcelo.

Marcelo explicou que a cooperativa retém 15% do valor das corridas para custear a operação, enquanto os 85% restantes são destinados à remuneração dos motoristas. Na categoria de menor valor, o pagamento é de R$ 2,15 por quilômetro rodado, R$ 0,75 acima da média considerada no levantamento da CoopGO. Com uma quilometragem mensal de 5,5 mil quilômetros, a projeção de faturamento pode chegar a mais de R$ 11 mil. Segundo o presidente, a renda disponível ao motorista poderá alcançar R$ 5 mil, conforme os custos da atividade.

Outra variável identificada no estudo aponta para a possibilidade de redução dos custos operacionais por meio da adoção de veículos elétricos. “Enquanto o custo por quilômetro rodado em um automóvel a combustão é estimado em R$ 1,10, nos modelos elétricos esse valor cai para aproximadamente R$ 0,50”, disse Marcelo.

Como resultado da iniciativa, os cooperados da CoopGO terão acesso a condições especiais de financiamento, com juros subsidiados pelo Governo de Goiás, por meio do Fundo de Equalização para Empreendedores (Fundeq). A medida reduz o custo final do crédito para 1,19% ao mês.

Cada cooperado poderá contratar até R$ 140 mil para aquisição de veículo elétrico, com prazo de pagamento de até 54 meses e carência de seis meses. Conforme a modalidade da operação, como garantias, serão aceitas a alienação fiduciária do veículo e o aval da GarantiGoiás.

Resumo das Condições de Financiamento e Operação (CoopGO)

Parâmetro / ItemCondição / Indicador
Parceiros EnvolvidosSistema OCB/GO, Sicoob Crediadag, Governo de Goiás (Fundeq), GoiásFomento e GarantiGoiás
Teto de FinanciamentoAté R$ 140.000,00 por cooperado
Taxa de Juros Subsidiada1,19% ao mês (via Fundeq)
Prazo e CarênciaAté 54 meses para pagamento | 6 meses de carência
Garantias AceitasAlienação fiduciária do veículo e aval do GarantiGoiás
Custo por Km (Combustão vs Elétrico)R$ 1,10 / km (combustão) ➔ ~R$ 0,50 / km (elétrico)
Taxa de Retenção do App15% para operação (85% repassado ao motorista + sobras)
Remuneração Média por KmR$ 2,15 / km (R$ 0,75 acima da média de mercado)

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